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O dia era especial. Sexta-feira 13, lua cheia. Num outro dia 13, em 1917, outro Francisco corria para ir “ver”, pela 2ªvez, a Senhora que tinha aparecida um mês antes. Ia com o melhor fato e penteado como nunca. Ontem era também dia de S. António, outro que também souber correr atrás doutro Francisco. Numa Lisboa em crise, as ruas da Sé quiseram competir com a Costa da Caparica; para não ir mais longe. “Como quer ficar conhecido na História?, é a pergunta final do jornalista na entrevista exclusiva ao Papa Francisco - transmitida na integra na SIC Notícias (obrigada Filomena pelo link: http://sicnoticias.sapo.pt/mundo/2014-06-13-papa-fala-sobre-problemas-da-igreja-e-do-mundo-em-grande-entrevista). O Papa: “Não pensei nisso…”. “Um homem bom…isso basta.” É preciso ser muito especial para esta resposta. Com um sorriso que fiquei a conhecer assim mais perto. Novo, acabado de sair. Basta ver a entrevista. Mesmo assim deixo abaixo como eu a guardo: à prova de bala.

Os comentadores da SIC bem quiseram arrancar características revolucionárias, feitos extraordinários nunca dantes navegados. A certa altura um deles diz: "Este Papa é genuíno; bem, outros também foram [as comparações foram sobretudo com Bento XVI], mas este tem uma genuinidade diferente". Importa-se de repetir?

Cymerman leu as perguntas que tinha preparado. Com o rigor do trabalho do jornalista que sabe que a emoção, às vezes, pode ajudar a esquecer o que se quer perguntar. Trabalhinho de casa; não é chegar ali e mandar umas bocas. Mais. Não fez aquelas perguntas mediáticas que muitas vezes só servem para vender jornais. Mostrou que queria mesmo conhecer aquele homem. A certa altura, e uso a minha memória : "o senhor conseguiu não só fazer as pazes com o chefe ortodoxo, como também juntar os lideres árabe e israelita, e ainda juntar todos em Jerusalém." Não esquecemos aquele abraço, que vimos em tudo o que é media. O Papa respondeu: “não fui eu que fiz.” E repetiu a frase. Com o sorriso cheio do brilho da paz e da humildade que sempre o vestem. E acrescentou: “O Henrique ajudou!”, provavelmente com a insistência para obter esta entrevista; não estou dentro dos seus preliminares. “A divisão é um pecado, um pecado…!!!”, continua o Papa a confessar ao jornalista. E insistiu que o que é aconteceu não é um gesto político, mas político sim, com “P”.

Frei Bento Domingues, um dos três na mesa debate da SIC disse mais ou menos assim: "este Papa agita tudo; é isso que ele quer!" Eu também acho que sim. O Papa é um “agite antes de usar”. Mas calma. A Igreja é uma Vida, não surge agora do nada, há trabalho de fundo – de há milhares de anos -, que nos leva, sim, neste caminho trabalhoso e acompanhado pelo Senhor dos anéis e dos dedos. Por isso não me espanto com o baptismo do " Papa móvel" com o nome de prisão blindada, ou muro, como o Papa disse, a propósito da sua visita pastoral ao Brasil. Como não me espanto por ele não andar de sandália e túnica no meio das multidões por onde passa.

"O passado foi, o futuro não é". Fixo-me pois num homem que é especial, diferente de mim, diferente de cada um de nós. Por uma razão. Ele é uma liberdade em ação, que não repete, mas vive cada momento como um dado que é dom. Deu-se a Henrique em cada surpresa que as perguntas lhe iam “batendo”, como ar fresco no seu rosto. Fazendo ricochete no de Henrique, que transbordava, ele lá sabe como.

Francisco é especial sim. Porque é um homem. E porque é um homem bom – "que erra", diz a certa altura na entrevista -, sem máscaras, corantes, ou conservantes. Não é light, nem de soja. Não é hermeseta, nem descafeinado. É Orgânico, Biológico. Só isso me dá a Razão pela qual ao olhar-me nos meus olhos reconhece Aquele que me “faz” agora, agora mesmo. “Fá-lo” como eu não sei “fazer”. Sim, se soubesse, virava já 1,90 escultural e boa pessoa.

É diante dessa Presença que Francisco nota nos meus olhos castanhos de 1,57, diante da Qual ele se ajoelha hoje apaixonadamente, que eu quero estar, ou ser, também. É esta a Revolução. Como quero ser recordada na História? É por Causa DELE. Como a rosa.

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