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Deus: um caso de «ménage à trois»

por Fátima Pinheiro, em 15.06.14

fotografia tirada no Santuário de Fátima
Francisco Noronha de Andrade

Todas as palavras são poucas e muitas para “dizer” o Mistério. E Mistério é aqui tido, não como enigma mas como aquilo que, não sabendo nós o que é, sabemos contudo que “paira”, que “anda por aí”, a exceder e a corresponder ao que no mais fundo de nós desejamos. Para dar um exemplo destes dias, a lua não é apenas um enigma, mas Beleza que se contempla porque atrai. Puxa-nos a qualquer coisa, um X que me sopra. Somos três: Ela, eu, e o abraço que nos envolve, cabe-nos e transcende-nos. É muito Bom. Querem ler porquê?

Tenho um amigo chamado Francisco que gosta muito da Mãe de Deus. Tirou a fotografia que se pode ver acima. Tirou-a precisamente no Santuário de Fátima. Nela podemos ver uma cruz, uma nuvem, o céu, e uma pomba cheia de vida. Como hoje é Domingo da Santíssima Trindade decidi mostrá-la aqui. Com palavras poucas. Ou quase me calo já. Lembro só o que diz S. Tomás acerca da obra prima que é a sua SUMA TEOLÓGICA. Ele, que, diz-se, enfiava a cabeça no Sacrário - para ver se entendia alguma coisa –, reconheceu que tudo o que escreveu é “palha”. Palha!

E o "De Trinitate" de S. Agostinho - salvo erro são 15 Livros - são 30 anos à procura de analogias do 3 em 1, e o teólogo conclui::"não encontro, se calhar perdi tempo!" Mas não, confessa também: "toda esta procura mudou-me, eu não sou mais o mesmo." Deus é uma Relação que entra em relação connosco e nos transforma. Nós somos "à Sua imagem e semelhança": um dado (imagem) por natureza, a conquistar em liberdade (tensão para a "semelhança"), incansável repetiu-o sempre o meu mestre de filosofia.

Estou então à vontade para dizer que aquela imagem é SINAL de um Amor. De um certo Espírito. Uma espécie de “Love is in the air”. Que “paira sobre as águas” (cfr. Livro dos Génesis). Mas não de águas mortas – a luz da fotografia é espetacular – e sim de águas vivas; como as que um Filho traz do seu Pai. Um caso de um especial “Ménage à Trois”: Pai, Filho e Espírito Santo.

Pergunta o Bispo a um outro amigo meu, no “exame” de preparação para a Primeira Comunhão (ou Crisma? já não me lembro; ele contou isto já há uns tempos): “João, o que é a Santíssima Trindade?”. Ele, inteligente, sempre de resposta pronta e certeira: “nem eu sei, nem o senhor Bispo sabe, nem ninguém sabe; por isso é que é mistério.”

Tudo o que me acontece – hoje já vou no café da manhã que agora acabo – tem o selo, saber ou “sabor” daquele abraço a três. Onde cabe “perfeito” o meu coração. E agora veio presente à memória o querido Alexandre O´ Neill. E um outro Francisco. E mais outro. O primeiro já foi desta para melhor. O outro mora agora em Roma. E o último vai comer bifes ao almoço, se Deus quiser. Vou despachar-me porque me falta pão fresco. E ao da Pomba: que boa apanhada Francisco! Tiras mais?

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