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Gira a sua vida: comece já hoje!

por Fátima Pinheiro, em 19.06.14

fotografia da net

Temos uma vida ou uma vidinha? Ou não a temos? E os outros animais? E, de certo modo, paro neste reino; sim, porque poderia agora especular noutros campos. Gerir a vida é coisa de humanos. Presume-se. Senão vejamos.

Coisa de humanos? Pois aqui já me chamaram de atrasada mental. “Não vês que já se avançou, e já não se fala assim?” Vejo, vejo. Sei que os animais têm inteligência e gerem as suas vidas. Mas aqui entram as analogias. E neste domínio o termo "primeiro" é o humano. Já viram uma vaca a deixar de fumar? Ou a doar um rim a um amigo? Argumentem que o meu ponto é antropomórfico; mas nestas discussões quem falou primeiro de inteligência animal?

Gira a vida, gira! “E no entanto ela gira, move-se!, alguém genial afirmou. E quase provou cientificamente. Referia-se à terra. Mas cada um de nós é uma terra. Cada ano tudo volta a parecer igual. Cada ano tudo se apresenta de cara parecida. Então, tudo pode vir como mais do mesmo (as férias estão outra vez à porta; e para o Natal e Páscoa já faltou mais….); se morrermos entretanto, outros estarão ainda cá para isso, e na novidade de chorarem por nós.

Cada ano tudo se repete, sendo o eterno retorno do mesmo; é a ilusão do tempo. Ou então, tudo se repete cada vez de forma criativa, nova, e há a História. Neste caso eternos retornos e reencarnações estão a milhas; os “déjà vu” têm outra interpretação. E – o mais importante – há neste caso uma “coisa” chamada liberdade. Não que não haja determinismos; ainda bem, senão não havia trapézio; mas o que interessa aqui é que há principalmente determinação. Há liberdade numa circunstância, a minha. Há pessoa, eu. Há trabalho, realização, civilização e cultura.

Gira a sua vida! Às vezes não tem graça nenhuma. Parece. Eu sei. Desistir ou continuar apesar de? E se tirar o apesar? E se for por meio, ou através do desengraçado? É a grande partida! A grande decisão. Não de tamanho mas de valor. Cabe a cada um decidir. Como alguém já apelidou de “Decisão para a existência”. Como decidir? Com que instrumentos? Não terei chegado tarde? Ou prematuramente? Se em mim não encontro só matéria (coisas que posso medir com o meu metro de centímetros), isto é, se em mim encontro também dimensões que escapam aos milímetros, então posso concluir que a balança da mercearia não chega e que afinal não me vou diluir no cosmos – seria melhor dizer até caos, porque nesse caso (no de tudo ser de-composto), não vejo razões.

Gira a sua vida! como em Gestão? Auto-ajudas e famílias chegadas? Pois neste ponto, dependemos dos anteriores. Do que se entende pelo “material” de que sou feita. Se em mim admito domínios incomensuráveis, não há gestão que resista. Planeamento, razoabilidade, sim. Claro. Tudo corre sob meu conduzir. Mas conto com todas as frestas da minha liberdade. Sei que vivo na passadeira onde ando, e mando e não mando em mim. Sei que ser livre é ser dona dos meus actos. Experimento a escravatura.

É, neste caso, a vida que me gere, ou que me gera. E eu? É arriscar tudo em cada gesto, em cada momento. Tudo. Toda. Só os simples o “fazem”. Andam no exercício do re-colhimento e com eles aprendo. Não me interessa a que velocidade; mas que é outra onda, outro mar, disso não duvido. Experimento. A chatice é o orçamento de Estado. Mas há pior; e é preciso, por enquanto, fazer estas contas, também. Mas que não me perca nelas!

“De que te serve ganhar o mundo inteiro, se te vieres a perder’” – dizem-me agora mesmo ao ouvido. Quero viver nesta razoabilidade provada do valor da simplicidade. Sem contas, nem mãos a medir.

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