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a fotografia é do ano passado (ontem não fui); chorar faz bem, mas já passou...

 

À pergunta do jornalista, ontem no final do jogo da Liga Europa, o treinador do Benfica resume assim: “tens que olhar o futebol, o futebol é assim.” E já a arregaçar as mangas para o próximo domingo, acrescenta: “Não é tempo de olhar para trás.” Percebo a sua diplomacia, as suas razões. Mas isto do futebol é para comer e calar? Quem manda no futebol? Que leis, que prática? Isto assim é muito feio. Eu sei. E que é como nas touradas, ou nas guerras, ou nas religiões, ou na medicina, nas famílias (que se celebram hoje). Mas há que olhar para trás há. Se o futebol também vive de urgências, então deixa de fazer sentido. Como a vida: correr e correr até o apito determinar o fim do “jogo”. Andamos a correr para o boneco?

 

Esteve à vista de todos. Penalidades por assinalar, só para exemplificar (essa do nunca termos perdido um jogo, ou que ontem fomos os melhores no terreno, não vou por aí …). E tanto mais grave é quando afinal tudo acabou por ser decido pelas penalidades. Quando tudo se passa assim, não há instância a que se possa recorrer? Há tribunais para tudo, e para coisas destas não? Como é? Não se pode voltar para trás e justificar que o árbitro (mais os outros nas linhas laterais) esteve fora de jogo? Percebo o argumento de que a autoridade é a autoridade e de que seria impraticável ir ao infinito nas instâncias. “O futebol é assim”. Mas não se pode melhorar?

 

Eu não sigo a regra do comer e calar.  Mas o meu filho, também Benfica, e um adepto muito justo acaba de me dizer – e à pressa que tem que ir para escola – que sim, que acha que se poderia recorrer, mas que "isso não se faz". Que dizer? Não devo perceber mesmo nada de futebol. Jorge de Jesus  tem mesmo razão.

 

E tanto se me dá que tenha sido um português a defender os penalties de Cardoso e Rodrigo. Numa dessas defesas, Beto estava mesmo “fora de jogo”, à vista desarmada. É feio. Quem manda no futebol? É o jogo.

 

Mas pelos vistos quem manda é a lei do mais forte, que, neste caso, escuso de dizer quem é. E só falta dizer que foi Portugal que ganhou. Só porque a noite foi de Beto. Será?

 

Parecem estas linhas uma contradição. Se calhar são. Não é assim tudo na vida. Como diz Chesterton, a verdade está no paradoxo. Quem foi o campeão da Liga Europa foram os lampiões. O futebol tem razões que a razão bem conhece.

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