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José Luís Nunes Martins
jornal i
28 junho 2014
http://www.ionline.pt/iopiniao/depois-chorar

DEPOIS DE CHORAR

«Não é a tristeza que nos faz chorar, mas o amor que enfrenta os vazios. As angústias e desesperos são expressões de falta.

As lágrimas que de nós brotam e caem longe do olhar dos outros são as que mais força trazem em si, as que fazem concreto e objetivo o sentir mais íntimo.

Por vezes, o coração cai nas armadilhas das tristezas antigas... outras, sentimos os espinhos das novas adversidades cravarem-se-nos na carne. Há sempre tristezas, há sempre sofrimento, haverá sempre dor enquanto houver amor.

As lágrimas não choradas não deixam de ser amargas, mas essas, ao contrário das que nascem, corroem o interior de quem com elas não chega a regar a terra que lhe segura os pés.

A vida faz-se também com as nossas lágrimas e vence-se, muitas vezes, de olhos carregados de mar. O esforço que nos é exigido chega quase a ser impossível sem lágrimas. Chorar não é sinal de derrota, antes sim de um amor que busca a paz merecida.

O sentido da vida cabe dentro de uma gota de água salgada… a verdadeira paixão é a dor máxima do amor mais profundo. Aquele que faz germinar em nós o melhor… diante do pior.

Depois das lágrimas é tempo de agir.

As lágrimas, tal como tudo nesta vida, têm um princípio e um fim. O amor não. Vive inteiro, em cada momento, do qual é o princípio e o fim.»

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Gira a sua vida: comece já hoje!

por Fátima Pinheiro, em 19.06.14

fotografia da net

Temos uma vida ou uma vidinha? Ou não a temos? E os outros animais? E, de certo modo, paro neste reino; sim, porque poderia agora especular noutros campos. Gerir a vida é coisa de humanos. Presume-se. Senão vejamos.

Coisa de humanos? Pois aqui já me chamaram de atrasada mental. “Não vês que já se avançou, e já não se fala assim?” Vejo, vejo. Sei que os animais têm inteligência e gerem as suas vidas. Mas aqui entram as analogias. E neste domínio o termo "primeiro" é o humano. Já viram uma vaca a deixar de fumar? Ou a doar um rim a um amigo? Argumentem que o meu ponto é antropomórfico; mas nestas discussões quem falou primeiro de inteligência animal?

Gira a vida, gira! “E no entanto ela gira, move-se!, alguém genial afirmou. E quase provou cientificamente. Referia-se à terra. Mas cada um de nós é uma terra. Cada ano tudo volta a parecer igual. Cada ano tudo se apresenta de cara parecida. Então, tudo pode vir como mais do mesmo (as férias estão outra vez à porta; e para o Natal e Páscoa já faltou mais….); se morrermos entretanto, outros estarão ainda cá para isso, e na novidade de chorarem por nós.

Cada ano tudo se repete, sendo o eterno retorno do mesmo; é a ilusão do tempo. Ou então, tudo se repete cada vez de forma criativa, nova, e há a História. Neste caso eternos retornos e reencarnações estão a milhas; os “déjà vu” têm outra interpretação. E – o mais importante – há neste caso uma “coisa” chamada liberdade. Não que não haja determinismos; ainda bem, senão não havia trapézio; mas o que interessa aqui é que há principalmente determinação. Há liberdade numa circunstância, a minha. Há pessoa, eu. Há trabalho, realização, civilização e cultura.

Gira a sua vida! Às vezes não tem graça nenhuma. Parece. Eu sei. Desistir ou continuar apesar de? E se tirar o apesar? E se for por meio, ou através do desengraçado? É a grande partida! A grande decisão. Não de tamanho mas de valor. Cabe a cada um decidir. Como alguém já apelidou de “Decisão para a existência”. Como decidir? Com que instrumentos? Não terei chegado tarde? Ou prematuramente? Se em mim não encontro só matéria (coisas que posso medir com o meu metro de centímetros), isto é, se em mim encontro também dimensões que escapam aos milímetros, então posso concluir que a balança da mercearia não chega e que afinal não me vou diluir no cosmos – seria melhor dizer até caos, porque nesse caso (no de tudo ser de-composto), não vejo razões.

Gira a sua vida! como em Gestão? Auto-ajudas e famílias chegadas? Pois neste ponto, dependemos dos anteriores. Do que se entende pelo “material” de que sou feita. Se em mim admito domínios incomensuráveis, não há gestão que resista. Planeamento, razoabilidade, sim. Claro. Tudo corre sob meu conduzir. Mas conto com todas as frestas da minha liberdade. Sei que vivo na passadeira onde ando, e mando e não mando em mim. Sei que ser livre é ser dona dos meus actos. Experimento a escravatura.

É, neste caso, a vida que me gere, ou que me gera. E eu? É arriscar tudo em cada gesto, em cada momento. Tudo. Toda. Só os simples o “fazem”. Andam no exercício do re-colhimento e com eles aprendo. Não me interessa a que velocidade; mas que é outra onda, outro mar, disso não duvido. Experimento. A chatice é o orçamento de Estado. Mas há pior; e é preciso, por enquanto, fazer estas contas, também. Mas que não me perca nelas!

“De que te serve ganhar o mundo inteiro, se te vieres a perder’” – dizem-me agora mesmo ao ouvido. Quero viver nesta razoabilidade provada do valor da simplicidade. Sem contas, nem mãos a medir.

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Eu nem vejo sempre. Mas há quem não perca o Professor Marcelo. Quase uma Homilia Dominical. Se vejo é porque aprecio a inteligência em ação. E ontem ficou bem provado, mais uma vez, e para mim, que essa ação é muitas vezes de desrespeito e só empobrece quem a pratica. Ao que chegou o comentário “político”! O dano disto, é que muitos vão atrás – Marias vão com Marcelo - , e fica-se a pensar que assim é que é. E durante a semana, oiço muito “papagaio” (é interessante ir à etimologia desta palavra). Ontem? Foi “apenas” uma nota sobre o Mundial e Pedro Passos Coelho. Foi muito feio.

Inacreditável. Não se faz. Estarei porventura a exagerar? Não. Quem é no pouco, é no muito, sei de experiência feita. Não estou a defender Passos – eu que até ganhei um bom desemprego por causa disto tudo - ; quem me conhece, e quem lê o que escrevo, sabe que não defendo nada, a não ser a luta armada pela “minha” felicidade. E que isto não é egoísmo. Lutar pela minha felicidade é a única forma de “fazer” alguma coisa por esta vida que todos encontramos ao irmos nascendo todos os dias. Andar aqui no “empata” não pega comigo. Vivo no seio de uma família e só “dou para a caixa” se me trabalhar para me tornar numa pessoa interessante. Atrativa. Com alguma coisa boa para dar. Dar-me. E dar o resto. Ou seja, o trabalho que me dá o trabalho de lutar pela felicidade, reverte, em última análise, para os que me foram “confiados”. O mais é a pedra no lago, e os círculos que se vão multiplicando rigorosamente em outros círculos, cada vez mais longe. Sei que é assim porque foi um desses que me agarrou e é nele que agora pairo sobre cada água.

Sou a favor. Do Professor também. Mas não sou estúpida. Hoje era então para dizer isto. Sentei-me ontem diante do Canal 4 e oiço falar do Mundial em clima ameno, entre sorrisos informais: “O Primeiro Ministro baldou-se ao futebol!” Mais sorrisos; como se fosse recreio e o programa fosse seguir dentro de momentos. Acrescentou: “Não gosta de futebol!”. “Eu se fosse Primeiro Ministro teria ido; se fosse líder da oposição teria ido!”. Para apoiar a seleção, disse. BALDOU-SE? Importa – se de repetir?

E mais. Logo de seguida, como se nada tivesse dito – ou apenas o ter deixado cair um “ai”, “ui” ou “ei” -, começou a olhar para os seus papéis, esses sim importantes. O que dissera sobre o futebol, até nem era importante; deixou escapar. Estava-se tão bem. Agora, o verbo “escapar” não cabe na sintaxe de Marcelo. Nela o ponto não é dado sem nó. Curiosamente, conheço outra figura pública que faz o mesmo, mas na perfeição. Escuso de dizer quem é. Entre eles há no entanto uma grande diferença. Só um é mesmo um animal político. Ser inteligente ajuda, mas não chega. E 2014 é o ano de Portugal, CR "dixit". Às 17h quem é que não vai apoiar, quem é? Salvador pode ter longe, e distância...

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Jardim Gonçalves: a cor do Dinheiro

por Fátima Pinheiro, em 05.06.14

                                                                                              fotografia tirada da net 

 

Jorge Jardim Gonçalves, O Poder do Silêncio, escrito por Luís Osório, foi lançado ontem na Universidade Católica. "Este é um livro de memórias interpretadas por mim", diz o autor nas linhas introdutórias.

 

Mário Pinto apresentou-a e reconhece que cada pensamento do autor tem um peso; não me refiro às 700 páginas do livro, não.  É  Santo Agostinho que anda sempre comigo: o meu amor é o meu peso, repetia sempre. E é curioso que Ramalho Eanes – que lá estava ontem- tenha recorrido ao santo, no rigoroso prefácio que faz deste livro. "Centelha divina de génio e de razão...". Precisamente: precisa-se, assim.

 

Talvez venha a escrever sobre a obra, a minha “leitura”, mas já percebi que o que aqui importa é mesmo lê-la. Já me faltou mais para acabar: são caminhos de cinco anos de conversa desfiada, ou desafiada.  Diz a Nota do autor: “Não é um livro sobre o Processo BCP. Sobre o Opus Dei. Sobre a guerra colonial. Sobre Salazar e Álvaro Cunhal. Sobre o poder angolano e José Eduardo dos Santos. Sobre a infância, o exílio em Espanha, o nascimento dos colégios de Fomento, os que o traíram, amaram, pediram dinheiro. Sobre os irmãos e os filhos, heranças, conflitos familiares. Sobre o conflito com António Champalimaud, Belmiro de Azevedo, Pedro Maria Teixeira Duarte, Vítor Constâncio, António Mexia, José Sócrates ou Ricardo Salgado. Sobre a amizade com Ramalho Eanes e Mário Soares, a engenharia de portos, a morte de alguns dos que mais amou, a sua própria morte. Esta viagem não é sobre cada uma destas coisas. É sobre todas estas coisas.

 

A entrevista ao Jornal I está muito bem feita e é também um boa janela  para saltar. Com ela entra-se nesta história e o autor fala também de projetos futuros, já para breve:um livro sobre a felicidade, e mais não digo. Leiam.

 

Temos então entre mãos um convite a uma viagem que agora poderá ser nossa, minha. Grande crédito! Imagino o que terá sido dito e que aqui não está; imagino o que falta dizer. Jardim Gonçalves ajuda: «Muitas vezes ouvi um ‘mas nunca falámos disso!...’ e estou certo que, pisando limites, nos apetece continuar. Quando? Alguém dirá.’» (na Nota Introdutória).

 

É uma "homenagem" que se merece. Apenas uma palavra  mais. Disseram-me um dia, e eu verifico, que Deus é não só um bom pagador (paga 100 por 1, como vem no Evangellho), como paga "logo". De formas, ou cores, inimagináveis; não fosse Ele MESMO Deus!

 

São outros caminhos. É a chamada via sacra: este livro, a vida de cada um de nós. Nós é que andamos distraídos; ou preferimos outros poderes e outros silêncios, que não os da liberdade.

 

Ontem, quando foram plenas as centenas de cadeiras do Auditório mais emblemático duma instituição bem cunhada - e os mais "íntimos" se sentarem no chão - vi mais de perto dois homens felizes. O sinal disso? A alegria. Essa não engana. É contagiante. Dá-se por osmose. E não é amarela....

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                             K G Chesterton (fotografia tiradad da net)

 

Foi muito bom o Colóquio sobre G. K. Chesterton no A2 , na Universidade Católica, ontem. Não admira que Jorge Luís Borges o tenha escolhido como seu escritor de eleição,  como um dia explicou: “era um homem que não se limitava a acreditar em Deus, mas que se interessava mesmo por Ele.” Não para estar nas nuvens, mas para gozar a vida. Um dia perguntaram-lhe que livro gostaria de ter nas mãos se ficasse isolado numa ilha deserta. Resposta: “manual para construção de canoas”. Recentemente veio a notícia de que poderia vir a ser declarado santo; como já aqui disse, chegou-me às mãos um artigo do Jewish Chronicle:  "Pode o inimigo dos judeus G.K. Chesterton ser um santo?". Mas poderá um verdadeiro inimigo dos judeus (e que disse em tempos coisas menos edificantes) ter escrito um dia: "Darei a vida em defesa do último judeu na Europa"? Quando um dia lhe perguntaram se seria santo, ele, no seu paradoxal humor disse que seria bem interessante um homem gordo, de charuto, e mais não sei o quê, de auréola na cabeça!

 

Hoje expresso aqui coisas que lá, na Católica, marcaram esta mulher, que ontem era quinta-feira. E tenho que me despachar porque não resisto a correr ver o Público. Para ler quem já não faz política. O que inventou Soares esta vez?! Porque no fundo gosto de ti – não destas tuas manobras - espera amanhã pelo (2)…

 

“Small is beautifull”, eu já sabia. Mas ontem “aumentei”. Só um homem grande e rolante faz dos pequenos, grandes. Isto é comuns, dizia Chesterton, o meu “homem que é hoje”. Os mais de 5.000 artigos do jornalista alargam-nos porque neles All things [ are] considered. Criticam-no um dia: nunca escreves sobre Deus! “Não”, disse. “Em tudo o que escrevo estou a escrever sobre Deus”. É o tema. Aliás já Santo Agostinho dizia que só há dois temas sobre os quais interessa escrever: o “eu” e “Deus”. Não se espere portanto encontrar um tema-tema, mas qualquer escrito de Chesterton é, disse-o, a sua visão sobre o tema. E o seu amor ao paradoxo não é uma figura de estilo, mas é a sua visão das coisas. Por grande ou comum exemplo, de S.Paulo:  Vejo o bem que quero e não o faço; faço o mal que não quero, e ganha em mim. Mas não me ganha a mim, diria. Nem a Chesterton: aos 40 converteu-se ao catolicismo. Assentou na Pedra que salva.

 

E é sem rodeios que o testemunha: “converti-me ao catolicismo por causa da Confissão.” Não à caricatura que dela se faz: peca, peca, que depois vais ao padre. Não andamos aqui a brincar às escondidas. Não estou a brincar comigo. Nem ele com ele! Estamos sim a chamar as coisas pelo nome. Ah, sou limitada, todos fazem o mesmo, os tempos mudaram, é a vida. Ó pá não me apetece. Ó pá apetece-me. E a vida é curta (será?). OK. Mas quem tem medo da palavra “pecado”? Não me venham com histórias de inquisições ou pedofilias, que isso há em todo o lado. “Pecado”, o que é? É “não amar”, that´s all. O pior dos pecados é o desespero, desistir. De mim, de tudo. Conheço isto muito bem. É comum.

 

Chesterton tem textos sobre a alegria da Confissão que são desarmantes, notou Maria João Laje, uma das conferencistas. E a alegria é justamente o “segredo do cristianismo”, diz ele. Contagia sem violentar. Desarma sem agredir. À santo. Os bloguistas bem precisam de um, e que eu saiba, não há ainda. De qualquer forma, Chesterton já o tenho no meu escapulário, muito pequenino, que levo ao peito, e onde estão escritos os nomes dos meus amigos. Eu, uma mulher pecadora, normal, santa, comum e extraordinária. O segredo não está no escrupuloso querer saber se O amo;  está sim na certeza que recebo, todos os dias, de uma forma mais ou menos estúpida, com mais ou menos dificuldades (títulos de livros dele, que a Zita Seabra tem editado na sua Aletheia), que Ele me ama. Lembra K. G. “ a fé começa mesmo antes de a termos”.

Só porque me esqueço destas coisas, às vezes “sinto-me” infeliz. Ainda bem que a felicidade não é um estado de alma! A felicidade acontece – cai-me de cima em cima – no meu desejo ou sede saciados no pedir dela de cada dia. Se eu fosse a fonte ou a gestora dessa Água, não seria eu. Deus me livre.

 

O João estava ontem sentado no A2 à minha esquerda. A certa altura, falava-se das coisas simples das nossas vidas, tirou da mochila um livro de Roger Scruton: I drink, Therefore I am. A Philosopher´s Guide to Wine.  “Lê!”. E deu-me uma passagem em que alguém conta a sua visita a uma casa das Irmãs da Madre Teresa de Calcutá: “It was with a botle of Ksara rosé that a great change came over my thinking” (Continuum, 2009, p.72). A Isilda, que estava do meu lado direito disse: ”esse autor é muito bom”; “acabei de ler um livro dele…”. “Qual?” Ela disse uma coisa como as vantagens de ser pessimista. Vou ver. Só se pode ser otimista K.G.

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